domingo, 11 de dezembro de 2016

"Castelo de Richat"





No Google Earth, a referência (feita em espanhol) às ruínas de um castelo português, situadas bem perto da chamada Estrutura de Richat (estrutura geológica de forma circular, com o aspecto de anéis concêntricos), na Mauritânia

A foto mostra as ruínas que, na imagem de satélite, aparecem rodeadas por uma qualquer estrutura delimitando o espaço, talvez um muro ou vedação.




Dentro do espaço delimitado, abaixo das ruínas do "castelo", nota-se um padrão de sombras podendo hipoteticamente corresponder a vestígios de outras construções, ao apresentar bastantes ângulos rectos aparentes.

Esse castelo ou forte aparece referido na página (em Inglês) Wikipedia sobre a localidade histórica de Ouadane, que enumera diversas fontes bem identificadas e seria na realidade um entreposto destinado a explorar rotas comerciais: ouro, sal e escravos. A página em Português alude igualemente ao assunto, mas não apresenta referências.

https://en.wikipedia.org/wiki/Ouadane


In 1487 a “feitoria” (trading factory) was founded inland in Ouadane (Ouadan, Uadem, Audem or Wadan). ...”.

http://www.colonialvoyage.com/arguin-portuguese-fortress-mauritania/



sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O que o Douro viu ao nascer



(Recorte de foto de utilizador GoogleMaps.)




E desatou logo encosta abaixo a toda a brida porque, ao chegar aqui, com uns 10km percorridos, já tinha descido 1000 metros.
(Duruelo de la Sierra: https://goo.gl/maps/aUTZKMhfVwK2



sábado, 13 de fevereiro de 2016

Já que a ponte caiu...




A ponte situada no lado direito já não existe tal como se vê na imagem (GoogleMaps). A subida das águas do Sousa, nos últimos dias, arrancou um pilar e ela caíu. O que resta vai agora ser demolido, como aliás já estava previsto.




O tabuleiro partiu-se ao meio quando lhe faltou o apoio do pilar central.
(Imagem: Correio da Manhã)

http://www.cmjornal.xl.pt/cm_ao_minuto/detalhe/mau_tempo_ponte_sobre_o_rio_sousa_gondomar_cede_sem_causar_vitimas.html




A menos de 400 metros a montante da ponte agora caída, encontra-se a antiga estação elevatória de Foz do Sousa, ponto de captação de águas para abastecimento da cidade do Porto. Actualmente a cidade é abastecida por captação de águas subterrâneas no Douro, na zona da Barragem de Crestuma-Lever.

http://portoarc.blogspot.pt/2013/04/abastecimento-de-agua-cidade.html

Gastão de Brito e Silva, no seu blogue "ruin'arte", publicou uma interessante reportagem fotográfica sobre a estação elevatória abandonada:
http://ruinarte.blogspot.pt/2011/02/central-de-captacao-de-agua-de-foz-do.html

(Recomendo — e não é a primeira vez que o faço — a leitura deste blogue, um verdadeiro repositório do património abandonado de Portugal, feito na medida das possibilidades do seu autor.)

 

Imagem: Google https://goo.gl/maps/3D1R8MJvCpu

Tal como é referido no texto do "Público" (ligação: https://www.publico.pt/local-porto/jornal/porto-dagua-160530), a musealização deste espaço já foi prometida pela Câmara Municipal do Porto, mas, como quase sempre acontece neste tipo de projectos, depressa caiu no esquecimento.


Noutras paragens, há quem invista na preservação do "ferro-velho". Mas claro que nós não somos dessas snobices...


sábado, 9 de agosto de 2014

A mesa de matraquilhos



Actualmente, os arcos que se vêem na casa no centro da imagem estão fechados por uma espécie de "marquise", ali mandada colocar pelo proprietário para ter mais espaço ou, mais provavelmente, para evitar que aquele alpendre debaixo da varanda fosse usado e de certeza conspurcado por quem quer que passasse no local ou ali se abrigasse da chuva ou do sol.
Nem sempre foi assim. Há uns anos, existia ali um café e até uma pequena mercearia ao lado. Junto à  entrada do café, ficava uma bancada ou poial onde os clientes ou simples passantes se sentavam. Detrás do pilar central da varanda, mesmo no meio do alpendre, costumava estar uma mesa de matraquilhos, muito concorrida especialmente aos fins-de-semana, quando era costume juntar-se mais gente. Quem vir o local agora não faz uma ideia do movimento que ali existia há quarenta ou cinquenta anos. 
Antes da construção das capelas nas aldeias — aí pelos anos 60 — e da posterior e crescente perda de frequentadores pelo serviço religioso, a gente das aldeias vinha à missa ao domingo na igreja matriz da vila. O caminho era feito a pé. Nesse tempo em que mal sabíamos o que era um automóvel e apenas uma ou duas pessoas na vila eram donas de tal luxo, as caminhadas eram uma necessidade e não um exercício. 
Quando não estava em serviço, a mesa de matraquilhos costumava ter colocada uma tampa feita de tábuas e um painel de contraplacado. Como seria de esperar, era um espaço precioso para rabiscar com a esferográfica ou, mais raramente, com a "caneta de feltro". Para além das habituais referências a esta ou àquela parte da anatomia humana e outros dizeres do género, havia quem se dedicasse a desenhar. E havia quem o fizesse com grande mestria.
Recordo-me — parece que a estou a ver neste momento — da caricatura de um velhote que costumava andar por ali e não falava com ninguém, tendo até fama de reagir mal se alguém se metesse com ele. O velhote deslocava-se muito devagar, em passos muito curtos e tinha uma pequena "marreca" que lhe dava uma postura peculiar. A caricatura representava-o quase de costas, marcando bem essa visão que tínhamos do velhote no largo por onde quase sempre andava.
O autor da caricatura não fez apenas essa. A habilidade que tinha para o desenho deixava-nos por vezes pasmados e com uma pontinha de inveja.
Nunca mais o vi desde essa época. A desertificação não é uma palavra vã nem sequer recente. Dali quase todos saímos — a estudar ou a trabalhar — para zonas mais desenvolvidas do país, normalmente a capital, ou para o estrangeiro. Alguns dos que o tinham feito antes de nós já regressaram, mas uma boa parte fica "por lá", onde tem a família, a casa, a vida. A terra natal é, para muitos, quase sempre uma saudade poucas vezes quebrada.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012